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POLÍCIA ENCONTRA CELULAR DE SARGENTO MORTO APÓS OUVIR APARELHO TOCAR EM MATAGAL COM CHAMADA DE ESPOSA PREOCUPADA


Quando o telefone tocou em um matagal, na madrugada deste sábado, 13, era a companheira do policial militar Nilton Cezar Vieira Lopes. 43 anos, também conhecido como sargento Lopes. O policial havia saído de uma IRSO (serviço extra), no entanto não havia voltado para casa no horário esperado. Lopes estava morto naquele momento. Havia sido atingido a tiros. O toque do celular ecoava em meio ao silêncio dos PMs que isolavam o local do crime. Essa cena se repetiu nesses últimos 53 dias com cinco agentes de segurança, além de um ex-policial, que seria a sexta vítima.

Mal os policiais militares estaduais cearenses se depararam com a informação da morte do soldado Daniel Campos Menezes, na sexta-feira, 12, foram surpreendidos com o assassinato do sargento Lopes. São dois policiais mortos em menos de 24 horas. Fontes relataram que após a morte de Campos, na área da Cidade Jardim, soltaram fogos de artifício.

O Serviço de Inteligência estava mobilizado na identificação dos autores da morte do soldado quando chega a informação da morte do sargento Lopes. Pelo menos quatro calibres diferentes foram encontrados no local. Lopes ainda conseguiu ligar para a Coordenadoria Integrada de Operações (Ciops) em meio aos disparos, em um pedido de socorro para envio de reforços.

O sargento atuou na Cavalaria da PMCE e, atualmente, estava no 21º Batalhão da corporação. Era querido pelos colegas de farda, da mesma forma que o soldado Campos.

Conforme fonte ouvida pelo O POVO, são dias de preocupação, clima pesado nas redes sociais e nas ruas entre os agentes de segurança. A morte dos PMs acontece no meio de um contexto de expansão de facção, onde todas as noites moradores de comunidades escutam o barulho de fogos: são as facções comemorando lideranças. A corporação segue com policiais afastados por síndrome gripal e enfrentou uma sequência de mortes por Covid-19. Como o próprio soldado Campos, que estava de licença, outros militares também seguem diagnosticados com problemas psicológicos. Na situação de ver um colega de trabalho sendo morto quase todo mês, a situação é avaliada na categoria como preocupante.

Crimes contra agentes de segurança
No dia 21 de abril, o policial militar, sargento Carlos Alberto de Figueiredo Junior, da Polícia Militar do Ceará (PMCE) foi morto. O agente de segurança estava na avenida 13 de Maio quando foi abordado por assaltantes. Houve uma troca de tiros e ele foi atingido na cabeça. O policial chegou a ser levado ao Instituto Doutor José Frota (IJF), mas não resistiu aos ferimentos.

No dia 22 de maio, a policial penal Ana Paula Vieira Oliveira foi morta durante um assalto na BR-116, em Itaitinga. O veículo da agente apresentou problemas e ela teve de chamar um reboque. Enquanto aguardava, os criminosos se aproximaram para roubá-la. A vítima foi atingida por um tiro durante a ação criminosa e não resistiu aos ferimentos.

No dia 6 de junho, o subtenente do Batalhão de Operações Especiais (Bope), Francisco Augusto da Silva, de 46 anos, foi morto vítima de latrocínio no bairro Vila Manuel Sátiro, em Fortaleza. Era manhã de sábado quando o policial saiu de casa para trabalhar e foi surpreendido por um criminoso. O PM chegou a ser socorrido, mas não resistiu aos ferimentos.

No dia 9 de junho o ex-PM condenado pelo "caso iraniano" foi morto a tiros em Fortaleza. Jean Charles da Silva Libório era sargento da PMCE quando foi acusado de comandar assassinatos a mando do iraniano Farhad Marzivi.

Nesta sexta-feira, 12, Daniel Campos Menezes, soldado da Polícia Militar do Ceará pronunciado por participação no caso Curió, em que 11 pessoas foram executadas, em novembro de 2015. O soldado foi morto a tiros. Conforme a Polícia Militar, o agente de segurança foi vítima de latrocínio.

2017 e 2018: policiais ameaçados e obrigados a mudar de residência
Em meio ao contexto das facções criminosas e da disputa pelo tráfico de drogas no Ceará, o índice alto de Crimes Violentos Letais Intensionais, os agentes de segurança entraram para a estatística de expulsões das organizações criminosas.

No ano de 2018, a violência desenfreada das facções atingia os agentes de segurança. Em maio, um major da PMCE abandonou a residência, nas proximidades de uma comunidade do Bom Jardim, depois que o muro do condomínio onde ele morava foi pichado com um desenho de palhaço que, para a Polícia e facções criminosas, simboliza a morte de policiais.

No mesmo ano, um policial civil precisou se mudar sob escolta depois de reagir a uma tentativa de assalto no bairro Canidezinho. Na época, criminosos estariam registrando imagens na frente da residência dele, o que motivou a mudança. Os agentes acabaram se tornando estatística que apontava um número de mais de 500 pessoas expulsas das casas entre 2017 e 2018.

No ano de 2017, detentos de uma unidade prisional da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) estavam fazendo ameaças aos policiais do 12º BPM, em Caucaia. Os homens foram presos no Parque Leblon no mês de janeiro e, dentro do presídio, a ordem era para metralhar os policiais que entrassem na comunidade. Além disso, pequenos comerciantes foram avisados que não deveriam vender para policiais na área. Na época, um padeiro foi morto depois de ter servido café para os agentes de segurança.

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