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ASSASSINATO DE EX-MARIDO DE FLORDELIS TERÁ 1º JULGAMENTO DE ACUSADOS

 

Facebook/Reprodução

Uma trama familiar movida por traição, ódio e dinheiro, costurada pela ex-deputada Flordelis dos Santos de Souza, sustenta as acusações nos dois processos sobre a morte a tiros do marido da ex-parlamentar, o pastor Anderson do Carmo. O crime ocorreu em 2019.

Flordelis está presa, suspeita de ser mandante do assassinato. O primeiro julgamento do caso na Justiça será nessa terça-feira (23/11). No banco dos réus, aparecem dois filhos da matriarca.

Filho biológico de Flordelis, Flávio dos Santos Rodrigues é acusado de ter efetuado os disparos contra o pastor na garagem da casa onde vivia com Flordelis. Eles foram casados por 21 anos.

Filho adotivo da ex-parlamentar, Lucas Cezar dos Santos Souza acabou denunciado à Justiça por ter comprado a pistola usada no crime. Ambos respondem por homicídio triplamente qualificado (sem chance de defesa da vítima).

“Vou usar vídeos com depoimentos dos dois na delegacia. Em um, o Flávio confessa ter dado os tiros, em outro, o Lucas diz que recebeu carta da mãe para assumir o crime no lugar de Flávio. É preciso se fazer justiça após dois anos e cinco meses da morte do pastor Anderson”, afirmou o advogado Angelo Máximo, assistente de acusação.

Máximo se refere a uma carta que Lucas acusou Flordelis de ter escrito, levada ao presídio Bandeira Stampa, no Complexo de Gericinó, em Bangu, zona oeste, por Andrea Santos Maia, esposa do ex-PM Marcos Siqueira, que estava preso com Lucas.

Em depoimento à Polícia Civil, em 2020, Lucas afirmou que, após receber a mensagem supostamente assinada pela mãe, copiou dentro da cadeia um texto de confissão já pronto, que o incluía na participação do assassinato. Tudo para montar uma farsa e proteger Flávio.

Segundo o Ministério Público, Adriano dos Santos Rodrigues, outro filho biológico da ex-deputada federal, repassou a correspondência fraudada à mãe e tinha conhecimento do plano. Flávio e Lucas vão ser julgados por um júri popular, na 3ª Vara Criminal de Niterói, região metropolitana do Rio.

Acusada de ser a mandante do crime pelo Ministério Público, Flordelis está presa, mas o seu julgamento e de mais nove réus, sete da família, ainda não foi marcado. Ela recorre da decisão do 3º Tribunal do Júri, no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

“A princípio, o impacto no julgamento da Flordelis é muito pequeno. São processos distintos. Aliás, caso a acusação tente produzir provas para o processo da Flordelis, ficará provado a absoluta má-fé e violação de preceitos constitucionais”, afirmou Rodrigo Faucz, advogado da parlamentar cassada, sobre o julgamento de Flávio e Lucas.

Outro processo sobre o mesmo enredo
Este outro processo diz que ex-parlamentar teria arquitetado o crime para tomar o poder do pastor nos negócios da família, como a administração das igrejas do Ministério Flordelis, e também da sua carreira como artista gospel. Ela responde por homicídio triplamente qualificado, tentativa de homicídio, seis envenenamentos contra o marido, uso de documento falso e associação criminosa armada.

No rol dos acusados consta ainda Flávio, que responde por organização criminosa e por uso de documento falso, crime relacionado à carta enviada a Lucas supostamente escrita por Flordelis. Adriano também é réu por ter cumprido a missão de pegar a correspondência fraudada com a nova confissão de Lucas e entregado à mãe.

No enredo das investigações, a relação do pastor Anderson teria rachado com os 55 filhos porque ele manteria ainda relações amorosas no núcleo familiar. Simone dos Santos Rodrigues, filha biológica da ex-deputada, que também é ré, já afirmou em depoimento à Justiça que sofria com investidas sexuais do padrasto e confessou participação no crime.

Simone e Anderson namoram antes de ele casar com Flordelis. Simone, que tem câncer, pediu para seu julgamento ser rápido. Ela alegou ter 35 tumores, mas a Justiça ainda não se pronunciou.

O julgamento de Flávio e Lucas
Marcada para começar às 13h, a sessão de julgamento será aberta pela juíza Nearis Arce. A magistrada vai escolher, por sorteio, os sete jurados de uma lista de 25 convocados da sociedade. Pelo menos 15 têm que estar presente para seja instalada a sessão, caso contrário o juiz deve marcar nova data. Defesa e acusação possuem o direito de pedir a dispensa de três sorteados, cada.

O juiz também analisa o pedido dos jurados para não participar. Alegações como problemas de saúde, por exemplo, são levadas em consideração. Escolhidos os sete jurados, forma-se o Conselho de Sentença.

A partir daí, são ouvidas as testemunhas de acusação. O Ministério Público convocou cinco e o assistente de acusação, quatro. Depois prestam depoimento as arroladas pela defesas – os réus têm direito a cinco, cada um.

Os réus são interrogados após os depoimentos das testemunhas. Em seguida, promotor e assistente de acusação têm duas horas e meia para apresentar aos jurados sua tese; e as defesas, mais duas horas e meia para combater. Há direito a réplica e tréplica por mais duas horas, para acusação e defesa. Terminados os debates, os jurados seguem para a sala secreta e, depois, o juiz anuncia o veredito.



Metrópoles*

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