RECONSTITUIÇÃO DO CASO FLÁVIO: VEJA O QUE DIZEM OS DEPOIMENTOS MINUTO A MINUTO
Nesta segunda-feira (18), a Polícia Civil realizou a reconstituição
dos fatos que culminou na morte do engenheiro, e teve a participação de
Alejandro Valeiko.
Segundo o advogado de defesa de Valeiko, Diego
Padilha, Alejandro está colaborando com as investigações, forneceu material
para exame de DNA e autorizou a realização da constituição na casa para que os
fatos possam ser esclarecidos.
"Essa é a acusação mais injusta que eu já vi
em todos esses anos de advocacia. Alejandro é vítima, foi agredido e está sendo
tratado como acusado. Na verdade, a reconstituição é feita quando há dúvida
sobre como aconteceu o crime. Do nosso ponto de vista, como houve uma confissão
e eu não vejo divergência entre o que foi confessado e o depoimento de todo
mundo ali que foi ouvido, para mim ela é desnecessária. Se eles entendem que é
necessário para [...] tirar alguma dúvida, tudo bem", disse o advogado.
Mais de um mês após a morte do engenheiro Flávio Rodrigues dos Santos,
42, a Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS) ainda não
concluiu o inquérito policial. Entretanto, ao relacionar os depoimentos, é
possível notar que o fato foi “um susto mal-sucedido” que terminou de maneira
trágica.
Tudo começa no sábado (28), no Bar Bohemia,
Centro de Manaus. Em seu depoimento, Elielton Magno de Menezes Gomes Junior
relata que estava no local com o amigo Bruno Barroso, onde ficou até o
amanhecer do dia seguinte (29) bebendo e “fazendo uso de cocaína”, quando falou
com José Edvandro Martins de Souza Júnior, o "Júnior Gordo" (que já
conhecia há 2 anos) e Flávio Rodrigues, que estava pagando bebida para “todo
mundo”.
Já segundo Júnior Gordo, o grupo permaneceu no
local bebendo e usando entorpecentes quando Matheus de Moura Martins convidou
todos (Flávio e Magno) a irem para casa de Alejandro, no Condomínio Passaredo,
bairro Tarumã. Incluindo um colega identificado apenas como “Pakalolo”.
[Trecho de depoimento - Júnior Gordo]
À polícia, Alejandro confirmou as declarações de Magno e Júnior. Ele
estava em casa, na companhia do cozinheiro Vittorio Del Gatto, quando recebeu
uma ligação de Matheus informando que estava “indo lá” com os colegas. Por
volta das 10h00, os cinco chegam no imóvel, no carro de Flávio, modelo Fox
branco. Desses, Valeiko e Vittorio só conheciam Matheus e Júnior Gordo.
[Trecho de depoimento - Vittorio]
No mesmo período, a portaria enviou uma mensagem via WhatsApp para o
policial militar Elizeu da Paz de Souza avisando que Matheus e Flávio entraram
no condomínio. Vittorio também entrou em contato com o PM informando que o
grupo estava fazendo “algazarra”.
Alejandro disse ainda, em depoimento, que após todos chegaram na casa
continuaram a fazer uso de cocaína e ingerir bebida alcóolica, quando, à tarde,
eles decidem ir para uma rave (festa)
em um sítio, na Avenida do Turismo, também no bairro Tarumã. Antes de ir com o
grupo, Flávio envia uma mensagem para família avisando que iria mais tarde para
casa.
[Print do grupo da família - Flávio]
Apenas Flávio, Alejandro, Matheus e Júnior Gordo vão para a festa,
Magno permanece dormindo na casa de Valeiko e “Pakalolo” não é mais citado
pelos envolvidos.
PM Elizeu e Mayc – peças chaves do caso
Amigos há aproximadamente 20 anos, o PM Elizeu e Mayc Vinícius
Teixeira Parede se encontraram, na tarde de domingo (29), na casa de um amigo
do policial, situada no bairro Jorge Teixeira, zona Leste. De lá, por volta das
21h20, eles seguem para um bar localizado na Avenida do Turismo, em um veículo
modelo Corolla prata, onde ficam até às 21h50.
Em depoimento, Mayc afirma que cada um tomou uma dose de whisky e
ambos ficaram no local por volta de 22h14, quando Elizeu o chamou para ir
embora. Ao chegarem no veículo para irem embora, o PM disse que faria uma ronda
em um condomínio, sem especificar na casa de quem.
Magno acorda e grupo chega da Rave - 2
horas antes do crime
De acordo com Magno, por volta das 20h, ele acordou no quarto de
Alejandro e enviou uma mensagem para mãe. Em seguida, foi até a cozinha e pediu
comida a Vittorio, que o orienta a ir embora já que Alejandro e os demais não
estão na residência.
[Trecho de depoimento - Magno]
Ao retornar para residência de Alejandro, o grupo (já sem Matheus e
Pakalolo) encontra Vittorio limpando a cozinha. Flávio anuncia que vai comprar
mais bebida e sai acompanhado de Alejandro e Magno do condomínio. O trio para
em uma loja de conveniência, em um posto próximo ao Passaredo, compram uma
caixa de Brahma e batata salgada, e retornam para casa./
Os instantes a seguir são construídos com
base nos depoimentos coletados pela Polícia Civil:
DOMINGO
21h36
- Flávio, Alejandro e Júnior Gordo retornam para o condomínio da rave,
já sem Mateus e Pakalolo. Encontram Magno que estava indo embora, ele faz
parada, fala que está sem dinheiro para ir embora e pergunta se alguém tinha
para arrumar. Flávio, Júnior e Alejandro teriam dito para ele ficar tranquilo
que o levariam para casa. Magno entra no veículo e retorna para casa de
Alejandro com o grupo. Encontram Vittorio arrumando a cozinha. Em seguida,
Flávio informa que vai comprar mais bebida e sai da residência, acompanhado de
Alejandro, que senta no banco do passageiro do Fox branco, e Magno no banco de
trás. Júnior permanece na casa de Alejandro. O trio para em uma conveniência de
um posto de gasolina, próximo ao condomínio, compram uma caixinha de Brahma e
uma batata salgada, pagas por Flávio com seu cartão de crédito. Eles retornam
para casa e apenas Flávio continua bebendo.
- Pouco tempo depois, ao terminar de limpar a cozinha, Vittorio se
despede de todos e segue para o seu quarto. Conforme Vittorio, neste momento
decide ligar novamente para o PM Elizeu para informar que o grupo continuava na
sala ingerindo bebida alcoólica, porém o policial não atende.
- O grupo permaneceu na sala após Vittorio dar “boa noite”. Conforme
Alejandro, quando o cozinheiro foi para o quarto, eles já tinham parado de
consumir cocaína.
22h14
- O porteiro Juzenildo, da guarita 2, relata que o PM Elizeu chegou ao
condomínio por volta das 22h14, acompanhado de Mayc. Ele liberou a cancela para
entrada dos dois. Elizeu, por ser conhecido dos agentes de portaria, entra sem
precisar fazer biometria e ser anunciado. Ele apenas abre a janela do carro e
tem sua entrada autorizada. Os moradores da casa 179 não sabem de sua chegada.
[Trecho de depoimento - porteiro
Juzenildo]
22h20
- O Corolla passa pela segunda portaria. Mayc e Elizeu chegam na
frente da casa 179. O PM Elizeu identifica pelo lado externo da residência que
há pessoas estranhas dentro da casa na companhia de Alejandro.
*Nesse momento, as informações são
baseadas nos depoimentos prestados por PM Elizeu e Mayc
- Em seu depoimento o PM Elizeu declarou
que “estava cansado de ver o que ocorria na casa” (uso de drogas e furtos por
parte dos convidados de Alejandro). Resolveu sair do carro e dar um susto em
todos os presentes, inclusive no Alejandro. Já Mayc narra que o PM estava
irritado antes de entrar na casa após ver que “esse pessoal” estava lá. Ainda
conforme Mayc, no carro, Elizeu disse: “Parede, eu vou dar um susto nesse
pessoal, me acompanha”. O PM veste uma balaclava (máscara) que estava em seu
carro, e chama Mayc que estava trajando um boné branco.
[Trecho de depoimento - Mayc]
- Dentro da casa estavam Magno, sentado em um sofá, Alejandro, sentado
na cabeceira da mesa de jantar, Flávio também sentado na mesa de jantar de
costas para a porta de entrada, e Júnior próximo à bancada da cozinha. Nesse
momento, Júnior avistou um carro entrando de ré na garagem, viu um homem
encapuzado com uma arma na cintura. Ele afirma, em depoimento, que avisou os
demais falando algo como “olha aí, ó” e correu para o corredor que dá acesso
aos quartos. Entrou em um deles, que parecia ser o de Alejandro, e se trancou
no banheiro.
- Já na sala, o PM Elizeu se depara com apenas três pessoas (Magno,
Alejandro e Flávio). À polícia, ele diz que seguiu direto em direção a
Alejandro desferindo duas coronhadas com sua pistola IMBEL .40, de cor preta.
No laudo de exame de corpo de delito em Alejandro, a perita indica “ferida na
região parietal direita” (parte detrás do crânio) feito por instrumento
contundente. Com a coronhada Alejandro baixa a cabeça e começa a sangrar.
[Trecho de laudo - Alejandro]
- Magno sai correndo e encontra Mayc do lado de fora. Conforme Magno,
Mayc o segurou pela frente colocando os dois braços embaixo dos seus braços e
sussurrou algo como “ei pô, peraíperaí”. Magno então consegue se desvencilhar
de Mayc e diz que acredita que o homem quis soltá-lo. Ele sai correndo em
direção da guarita gritando socorro. É quando sente algo quente escorrendo em
suas costas (sangue).
Com o golpe, Flávio fica desacordado por
dez segundos, logo recobrando a consciência. Ainda segundo Mayc, Flávio teria
começado a gritar. O PM Elizeu tenta tranquilizar Mayc e diz: “Calma, calma.
Vamos deixar ele lá fora”. Mayc então imobiliza Flávio pelo pescoço e o leva
até o banco de trás do veículo. Ele senta junto com Flávio que estava de costas
e joga seu corpo contra o dele na posição de “100kg”, fazendo com que Flávio
não se debatesse. Para que Flávio parasse de gritar, Mayc usou uma fita silver
tape cinza, que estava em sua mochila, para enrolar na boca do engenheiro.
Consciente, Flávio tenta se mexer e gritar, mesmo com a fita em volta de sua
cabeça. PM Elizeu entra no carro e diz para Mayc que ele tinha feito besteira,
“muita merda”, e que deixariam o “cara” (Flávio) fora do condomínio. Nervoso,
porque nada saiu como esperado, o PM Elizeu liga o carro e vai em direção à
saída.
[Trecho de depoimento - Mayc]
22h25 - 22h30
- Magno, trajando apenas calça, chega na portaria com a costa ferida,
pede socorro alegando que tinha "sido furado" por um indivíduo
encapuzado que invadiu a casa e aplicou uma coronhada na cabeça de Alejandro.
22h30 - 22h33
*Nesse momento, as informações são
baseadas nos depoimentos prestados por PM Elizeu e Mayc:
- PM Elizeu passa rápido pela portaria
falando “abre, abre” para o porteiro. Ele não queria ser identificado por
Magno, que estava recebendo atendimento na portaria. Flávio está imobilizado no
banco de trás com a cabeça para baixo, pressionada pelo peito de Mayc. A ideia,
segundo Mayc, era deixá-lo fora do condomínio com vida.
- Os dois fazem o retorno sentido aeroporto e entram na estrada do
Tarumã, seguindo na direção do Vila Suíça. Em determinado momento o policial
para o carro, olha para Mayc e diz: “Parede, solta ele”.
- Mayc resolve puxar Flávio para fora e soltá-lo longe do carro. Ele
disse em depoimento que adentrou 5 metros com Flávio em um descampado. Ao
tentar cortar a fita silver tape da parte de trás da cabeça, Flávio reagiu,
travou luta corporal e atirou uma pedra em Mayc para se defender. Nesse
momento, Mayc assumiu em depoimento que desferiu dois a três golpes de faca em
Flávio que ainda estava de pé. Narra ainda que a vítima correu “mais para
dentro do terreno”.
- Mayc retorna para o veículo e joga a faca próximo ao local. Dentro
do veículo Mayc desabafa com PM Elizeu: “Fiz merda, acabei com a minha vida”, o
PM rebate de imediato: “Tu acabou com a minha carreira”.
- O PM Elizeu decide retornar a sua casa no bairro Nova Cidade
seguindo o trajeto: estrada do Tarumã, Torquato Tapajós, Santa Etelvina, saindo
já próximo ao Nova Cidade. Em depoimento, o PM relatou que por estar
decepcionado, “puto” e bravo com Mayc, não quis deixá-lo na sua residência e
mandou ele descer do veículo: “vai embora daí, cara, eu vou pra minha casa”.
[Trecho de depoimento - Mayc]
[Trecho de depoimento - Mayc]
- Após deixar Mayc, percebeu que o pneu do carro estava furado, pediu
ajuda do vizinho, que foi ao seu encontro levando o pneu, depois seguiu caminho
e foi pra casa. Já Mayc pegou um mototáxi e também se dirigiu para a sua
residência.
- Nesse mesmo período, o porteiro Júnior Barbosa pede ao colega de
trabalho, John Lenonn, para ir à casa de Alejandro verificar o ocorrido. Ele
vai até a residência, mas durante o caminho acaba esbarrando em Alejandro que
conta que estava bebendo em casa quando dois homens encapuzados entraram, um
portando arma de fogo e outro uma faca. O porteiro acompanha Alejandro até a
portaria.
- Em seguida, o John Lennon retorna à residência 179 e percebe a casa
com móveis revirados, mancha de sangue no chão, principalmente no balcão
americano, quantidade razoável (nem muito, nem pouco) de sangue. Também
percebeu gotas de sangue fora da residência, no caminho que leva a portaria.
Entretanto, o vigilante afirmou que não lembra de ter visto sangue na parte da
garagem da residência.
- Abordou novamente Alejandro, ao voltar para portaria, e ele afirmou
que a casa tinha sido invadida e que levaram seu amigo, mas não sabia o nome.
[Trecho de depoimento - John Lennon]
[Trecho de depoimento -Júnior Barbosa]
22h55
- O síndico é acionado e encontra Magno no chão com atadura nas costas
e Alejandro em pé com o rosto sangrando e sujo de sangue. O porteiro lhe
informa que um dos visitantes disse que o condomínio foi invadido, mas não teve
rompimento de cancela ou sinais de coação dos moradores e funcionários. Ele se
desloca com subsíndico Ronaldo para a residência 179; Não entra no local, mas
vê os móveis revirados.
- Alejandro permanece na portaria até a chegada de Igor, por volta das
23h00.
22h00 - 23h00
- Igor Gomes, esposo de Paola Valeiko (irmã do Alejandro), disse à
polícia, que entre 22h00 e 23h00, recebeu uma ligação do condomínio Passaredo
informando que havia uma pessoa esfaqueada e que Alejandro estava
ensanguentado. O condomínio já tinha acionado o Samu e a polícia. Igor decide
ir no local, mas antes passou na casa da sogra e chamou um policial para
acompanhá-lo no condomínio.
- A primeira equipe de polícia, composta pelo Sargento Eduardo Barreto
e Subtenente Dilma Marien, chegou ao local por volta das 22h30. À polícia,
Barreto relatou que conversou com Magno e Alejandro sobre o que teria
acontecido. A equipe não entrou no imóvel e posteriormente quem assumiu a
ocorrência foi a Tenente Ana Carolina Bentes.
- Quando Igor chegou no condomínio, viu a presença de policiais
atendendo A ocorrência e falou com Alejandro, que estava na portaria com a
cabeça ensanguentada, aparentemente alterado, e não soube explicar o que havia
acontecido. Ele chegou a questionar o síndico do condomínio e Vittorio sobre o
que havia ocorrido, mas ninguém sabia dizer ao certo o que de fato aconteceu e
nem quantas pessoas entraram na casa. O síndico disse que dois homens teriam
entrado na casa e perguntado sobre o dinheiro. Igor informou ainda que o
síndico descartou a possibilidade de entrada de pessoa desconhecida, já que
todos os visitantes são autorizados pelo morador. Igor entra na residência após
os vizinhos saírem e vê três “pegadas” de sangue perto da cadeira de plástico,
situada na casa.
- Paola decide ligar para a mãe, que estava no Hospital Adventista com
o marido, o prefeito de Manaus Arthur Neto, para que ela fosse à casa de
Alejandro, pois ele estava ferido e havia outro rapaz na portaria, também
lesionado.
23h00
- A Tenente Ana Carolina Bentes chegou ao local, por volta das 23h00,
e na segunda guarita encontrou Alejandro. Ela chegou a conversar com Valeiko
sobre o que teria acontecido e depois se dirigiu para a residência.
- Na casa, viu o síndico conversando com “Junior Gordo” pelo
basculante do banheiro, pediu para que ele saísse, mas o mesmo se recusou e só
saiu quando o pai chegou no imóvel.
- Bentes relatou ainda que não conseguiu isolar o local, pois a casa
estava fechada e quando ela conseguiu adentrar na sala, a energia foi embora,
dificultando a averiguação da cena. A tenente solicitou que o síndico isolasse
e ele se comprometeu a fazê-lo.
[Trecho de depoimento - Tenente Ana
Carolina]
SEGUNDA-FEIRA
00h00
- Elizabeth Valeiko chega no condomínio e encontra Alejandro com
sangramentos na região do rosto e camisa, notou que ele estava sob efeito de
álcool ou entorpecente. Questionou ao filho o que estava acontecendo, ele não
soube explicar, pelo contrário, falou “mãe, tá tudo bem!”.
[Trecho de depoimento - vigilante Júnior
Barbosa que relatou os horários de chegada de Arthur e D. Elisabeth]
- Depois de algum tempo, Paola também chega ao local e encontra a mãe
(D. Elisabeth) e o irmão dentro de um veículo. Igor estava conversando com o
síndico.
- Paola entra na residência e percebe “rastros” de sangue próximo a
cadeira da mesa de jantar. Em depoimento, a jovem afirmou que limpou o sangue
que estava no chão da sala com papel toalha umedecido e destacou que não sabia
que poderia prejudicar o trabalho da polícia, porque eles já tinham saído da
casa.
- À polícia, Elizabeth disse que conversou com o homem, que depois
soube que era Júnior Gordo. Ele relatou que o grupo estava na sala “numa boa”
quando chegou um homem encapuzado, que perguntou “cadê o dinheiro?”. Ele correu
e se escondeu no banheiro. Diante dessa informação, Elizabeth perguntou do
filho se ele devia algo a alguém, mas Alejandro negou. Em seguida ela entrou no
quarto dele para entender o que estava acontecendo, e ao sair conversou com
Vittorio, seu genro Igor, sua filha Paola, o síndico do condomínio, e o
subsíndico Ronaldo, que estavam dentro da casa. Ela disse ainda que viu na
garagem gotas de sangue e um carro branco, que depois soube ser de Flávio.
Paola comentou que também tinha gotas de sangue no interior da casa, que
acreditava ser do ferimento de Alejandro, e limpou as referidas manchas porque
a cadela estava pisando e espalhando sangue pela casa.
02h00
- Arthur chega no condomínio.
[Trecho de depoimento - vigilante Júnior
Barbosa que registrou os horários de chegada dos familiares de Alejandro]
- Vittorio e Alejandro não comentaram com Elizabeth que o PM Elizeu
tinha estado na casa minutos antes. Ela não lembra o horário que saiu do
condomínio, mas o fez na companhia de seu marido Arthur. Pelas circunstâncias
de Alejandro estar sob efeito de drogas, ninguém explicar o que realmente
aconteceu e Júnior ter comentado que o homem encapuzado proferiu “cadê o
dinheiro?”, ela e as outras pessoas que estavam na casa, acreditavam que os
homens haviam ido cobrar dívida de drogas. Temendo que algo acontecesse, os
familiares decidiram que Alejandro e Vittorio dormiriam fora da casa, em um
hotel.
[Trecho de depoimento - Elizabeth Valeiko]
04h00
- Os familiares saem do condomínio.
[Trecho de depoimento - Paola Valeiko]
07h00
- Igor relatou à polícia que o PM Elizeu foi a sua casa, como de
costume, e pediu para ser liberado para resolver alguns problemas do cursinho
que frequentava. Neste momento Igor questionou do PM se ele sabia o que teria
acontecido com Alejandro. Ele disse que não sabia.
10h00 - 12h00
- São convocados dois voluntários da Casa Militar do Município para
viajarem com Alejandro para o Rio de Janeiro a fim de submetê-lo a tratamento
de dependência química.
[Trecho de depoimento - Walter Nascimento]
[Trecho de
depoimento - Rafael Leite]
15h30
- Os PMs voluntários vão para o aeroporto e lá encontram Alejandro,
que saiu do IML, onde fez corpo de delito, e foi direto para o Eduardo Gomes.
Cabo Leite nota que Alejandro está sob efeito de drogas e que exala mau odor.
16h00
- Alejandro viaja para o Rio de Janeiro na companhia do Sargento
Nascimento e Cabo Leite. Antes de tomar conhecimento de que Flávio havia
morrido, Elizabeth afirmou que decidiu que Alejandro seria internado
compulsoriamente em uma clínica de reabilitação no Rio de Janeiro. No laudo de
Alejandro consta que o mesmo já foi internado duas vezes nos últimos dois anos,
na mesma clínica.
[Trecho de depoimento - Elizabeth Valeiko]
[Trecho de depoimento - Igor Gomes]
- No avião, a aeromoça pergunta se Alejandro está "normal"
ao observar seu estado. O Sargento Nascimento responde que "Alejandro
tinha pânico de voo que o acompanhava, e que estava tudo bem".
- Durante o voo, Alejandro não teceu nenhum comentário sobre o que
aconteceu na noite anterior, apenas pergunta para onde estão indo. Leite diz
que estão indo para casa da avó de Alejandro, com intuito de deixá-lo
tranquilo.
22h00
- Eles desembarcam no Aeroporto Galeão (RJ). A família de Alejandro
contratou uma equipe de remoção para dependentes químicos, a Resgat Saúde, que foi em uma caminhonete
descaracterizada, fiat Toro branca. Acompanhado dos PMs, Alejandro entra no
veículo normalmente porque realmente acreditava que ia para a casa da avó.
- Ao chegarem na clínica Espaço Clif, Alejandro começa a demonstrar
agressividade e tenta fugir da caminhonete, mas não consegue devido as portas
estarem travadas. Ele não agride ninguém, mas chega a desferir socos no vidro
da caminhonete.
- Na sequência, Sargento Nascimento conversa com Alejandro para
acalmá-lo. Uma equipe de enfermeiros da clínica vão ao encontro de Alejandro e
o encaminham ao consultório médico. PM Leite relata que ouviu comentários
daqueles enfermeiros dizendo que era a terceira vez que Alejandro era internado
no local.
[Trecho de depoimento - PM Rafael Leite]
- Nascimento afirmou não sabia que Alejandro era suspeito quando
estava viajando e nem antes de viajar, informação que foi reforçada pelo PM
Rafael, de que Alejandro ainda não estava em situação ilegal quando viajou.
[Trecho de depoimento - PM Rafael Leite]
TERÇA-FEIRA
21h00
- Os PMs retornam a Manaus e Alejandro segue internado na clínica.
Por: Thaise Rocha da defesa de Alejandro Valeiko.

Nenhum comentário