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EMERSON MAIA RECEBE HOMENAGEM NO TEATRO AMAZONAS

FOTO: Reprodução/Internet


O hall do Teatro Amazonas será cenário para uma homenagem ao cantor e compositor Emerson Maia, que morreu nesta sexta-feira (14/08), em Manaus, aos 66 anos. No formato voz e violão, o levantador de toadas David Assayag comandará a apresentação a partir das 16h, para o autor de clássicos como “Lamento de raça”, “Ao pé da roseira” e “Flor de tucumã” pelo boi-bumbá Garantido, e “Caprichoso: Um canto novo de esperança” e “Fumaça das ervas” pelo Caprichoso.

Na apresentação, aberta à imprensa, David cantará as principais músicas de Emerson Maia, e comentará o que cada uma delas representa para a Amazônia.

“Emerson é um ícone do Festival. Fez história nos dois bois. Apesar de ter permanecido maior tempo no Garantido, tem uma grande representatividade também para o Caprichoso”, comenta. “Suas letras cantam e exaltam a Amazônia, e ele sempre falou de preservação, desde uma época em que o assunto nem era tão debatido. Um compositor que escrevia com emoção e que passava esse sentimento para as músicas”, afirma David.

O levantador de toadas ressalta que ele e Emerson eram grandes amigos. “Nossa amizade vem desde a década de 80, quando cheguei em Parintins e ele já militava no Garantido. Era uma pessoa extraordinária e tinha um coração maravilhoso”.

O secretário de Estado de Cultura e Economia Criativa, Marcos Apolo Muniz, destaca também a luta de Emerson Maia na defesa da floresta.

“A cultura do Amazonas perde uma das vozes mais atuantes em defesa da Amazônia e do Festival Folclórico de Parintins. Um poeta irretocável. Uma sensibilidade que sempre será lembrada. Um legado que nunca será esquecido. Fica nosso respeito pela memória do Emerson”, afirma.

Referência 

 O cantor e compositor Mencius Melo, que dedicou a toada “Serenou Laranjeira”, de 2017, a Emerson Maia, reforça que o artista trazia desde composições de desafio até protestos ambientais.

“Mais longevo compositor do Festival de Parintins, ao longo de 40 anos, Emerson Maia é um monumento da cultura amazonense, um poeta por natureza, traduzia os versos do Garantido de forma simples, mas rica em sentimento. É uma perda enorme”, pontua Mencius.

O presidente do boi-bumbá Caprichoso, Jender Lobato, ressalta que Emerson Maia representou a arte, o folclore e a música.

“Ele era cantor, compositor, instrumentista, poeta, alguém que representou o Festival de Parintins como um todo. Eu lembro das palavras dele, entrando no curral do Caprichoso, dizendo que não podia partir sem ser do Caprichoso porque os melhores amigos dele estavam lá, então, ele tinha que homenagear a nação azul e branca, por todo carinho que deram a ele ao longos dos anos”, afirma o presidente do Azul e Branco. “O Emerson, com certeza, é o um dos maiores poetas da história dos bois de Parintins, vai ficar marcado como o poeta que cantou as belezas e clamou pela preservação da Amazônia”.

João Paulo Farias, o Pai Francisco do Garantido, conta que, além de fã, também se considera sobrinho de Emerson Maia, amigo do pai dele, Zezinho Faria, desde a infância. Ele lembra que o artista esteve em outras frentes dentro do Vermelho e Branco, de levantador de toadas a amo do boi.

“As toadas dele são as que mais traduzem o sentimento pelo Garantido, porque mesmo nas toadas que ele exaltava a Amazônia, ele nunca esquecia de citar o Garantido. O amor dele pelo Vermelho e Branco estava acima de tudo”, afirma João Paulo. “É uma grande perda, é um pedaço da cidade de Parintins que vai embora hoje. Nenhum outro compositor soube traduzir tão bem o amor pelo Garantido e a preservação da Amazônia nas últimas décadas”.

 


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