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FRANÇA: ATIVISTAS ANTIVACINAS CONSTROEM GUILHOTINAS COM NOMES DE 300 POLÍTICOS DEFENSORES DE PASSAPORTE SANITÁRIO

 

© AFP/File

Um fato macabro chocou a França: três guilhotinas foram descobertas no interior do país junto com os nomes de centenas de políticos, de esquerda e direita, que defendem o passaporte sanitário - dispositivo imposto pelo governo para lutar contra a pandemia de Covid-19. O incidente é considerado como uma grave ameaça pelas autoridades. 

Dois boletins de ocorrência foram registrados na polícia francesa nesta terça-feira (28) após a descoberta de três guilhotinas de madeira, de cerca de dois metros de altura e com lâminas falsas, na região de Landes, sudoeste da França. Coladas às suas estruturas estavam folhas de papel com os nomes de lideranças que defenderam o passaporte sanitário, em um texto publicado pelo Journal du Dimanche no último 18 de julho. 

O prefeito do município de Samadet, Bernard Tastet, manifestou sua indignação ao descobrir uma das guilhotinas no último sábado (24). Uma reprodução deste instrumento, que era utilizado durante a Revolução Francesa para aplicar a pena de morte por decapitação, foi colocado por manifestantes antivacinas diante de um centro de saúde desta pequena cidade do sudoeste da França. 

Em um texto colado junto à falsa guilhotina, os autores do ato explicam que são contra as últimas medidas para lutar contra a pandemia de Covid-19 anunciadas pelo governo do presidente Emmanuel Macron. Entre as restrições citadas estão a obrigatoriedade da vacinação aos profissionais da saúde e o passaporte sanitário, documento que prova que seu portador foi imunizado ou que teve um resultado negativo para um teste recente de Covid-19.

A descoberta também foi criticada por internautas. No Twitter, um usuário publicou uma foto do instrumento e do manifesto colocado diante do centro de saúde de Samadet. "Estou muito preocupado. Até onde iremos?", diz o post.

Símbolo de uma violência inexplicável

Uma das políticas que teve o nome citado no manifesto, Pascale Requenna, prefeita do município de Hagetmau, se diz "aterrorizada" e também afirma que registrou um boletim de ocorrência junto à polícia da cidade. Para ela, que se considera atacada "como uma representante da República, como prefeita e autoridade regional", o ato representa "uma violência inexplicável".

Em entrevista à rádio France Bleu, a prefeita afirma, no entanto, não se arrepender de apoiar publicamente o passaporte sanitário. Segundo ela, o mecanismo "é a única forma que temos para sair desta crise sanitária e econômica". 

O Ministério Público afirma ter aberto uma investigação, mas, até o momento, nenhuma informação foi divulgada sobre os autores do ato. O texto colado junto a uma das guilhotinas afirma que o protesto, "pelo respeito dos direitos fundamentais dos cidadãos", é de autoria do "comitê Jean Moulin", em referência a um dos heróis do movimento de resistência francesa contra o nazismo durante a Segunda Guerra Mundial. 

A mobilização contra as medidas sanitárias da França vem se apropriando, de forma descontextualizada, de símbolos que marcaram a história da humanidade. Em um protesto contra o passaporte sanitário, em 17 de julho, muitos manifestantes exibiram junto a cartazes críticos ao governo a estrela de Davi, que os nazistas utilizavam para discriminar os judeus. A iniciativa indignou a comunidade judaica da França e foi duramente denunciada por Joseph Szwarc, de 94 anos, sobrevivente da detenção no Velódromo de Paris, onde os judeus eram presos antes de serem deportados para a Alemanha durante da Segunda Guerra Mundial. 






Fonte: RFi

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